Shiva – O Senhor da Transformação

Atualizado: 5 de Jul de 2020


O papel de Shiva é destruir o Universo para recriá-lo, transformar. Representa o aspecto da Realidade Suprema que transforma e evolui o Universo. Os hindus acreditam que seus poderes de destruição e recreação são usados ​para destruir as ilusões e imperfeições deste mundo, abrindo caminho para mudanças benéficas, essa destruição não é arbitrária, mas construtiva. Shiva também está associado à criação, pois no hinduísmo acredita-se nos ciclos. Assim, pensa-se que o universo se “regenera” em ciclos, de acordo com os kalpas de Brahma. Portanto, Shiva destrói o Universo no final de cada ciclo, que então permite uma nova criação. Sua consorte é Parvati.

Nas ruínas de Mohenjo-Dharo e Harapa, cidades localizadas no vale do rio Indo, foram encontradas imagens de 3.000 anos, representando aquele que provavelmente é o precursor de Shiva. Nas esculturas e relevos encontrados, ele tem três cabeças, está sentado na posição de iogue, e tem ao seu redor vários animais. Nos textos purânicos, o enaltecem sob diferentes aspectos. Já os arianos védicos não têm Shiva em seu panteão de deuses, mas Rudra, um deus védico, foi assimilado no hinduísmo moderno como um aspecto de Shiva.

Diz-se que Shiva reside no monte Kailash, no Himalaia. Seu veículo é o touro (Nandi), que simboliza tanto o poder quanto a ignorância. Assim, representa a ideia de que Ele remove a ignorância e confere o poder da sabedoria aos seus devotos. Sua arma é o tridente (trishul ou trishula). Representa os três mundos: físico, astral e causal. Assim como os três gunas, qualidades inerentes a tudo que existe: Tamas (inércia), Rajas (movimento) e Sattva (iluminação). A Vasuki Naga enrolada por três vezes em seu braço representa passado, presente e futuro, os ciclos, porém que o próprio Senhor transcende o tempo. Exibe em sua testa um terceiro olho, que a fonte de conhecimento e sabedoria, simbolizando o estado de êxtase, de conexão máxima com a Fonte divina.

Para os devotos de Shiva, Mahashivaratri é a “Grande Noite de Shiva”. Ocorre uma vez ao ano, na última lua nova do calendário védico, entre os meses Magha e Phalguna (Fevereiro e Março do calendário gregoriano), e a cada mês, a noite anterior ao dia da lua nova temos o Shivaratri, a “Noite de Shiva”. Para os hindus, a lua rege a mente e os sentimentos. Assim, a diminuição da parte visível da lua e de sua energia, durante a fase minguante, favorece na sutilização da mente, possibilitando a percepção da Luz da Consciência e o contato com o nosso Eu Superior, simbolizado pelo nascimento da lua nova. Nessa noite, relembramos que Daksha Prajapati, pai de Sati (primeira consorte de Shiva, que retorna como Parvati), não é a favor da união de Shiva e Sati, e realiza diversas crueldades com o casamento de sua filha. Assim, Daksha Prajapati amaldiçoa Chanti (Lua), e para salvar a Criação na Terra, Shiva cria o Maha Mrityunjaya Mantra para ressuscitar Chanti. Por fim, devido a diversos conflitos no relacionamento entre de seu pai e seu consorte, Sati se joga ao Fogo Sagrado, em sacrifício. Shiva, ao descobrir o ocorrido, fica extremamente furioso e inicia Tandava, a Dança Cósmica da destruição, criação e renovação do Universo. Todos Deuses hindus, preocupados com a reação de Shiva, decidem ressuscitar Sati. Assim, Vishnu, para reinstaurar o equilíbrio, devolve à vida a Sati, que retorna como Parvarti, a filha do Himalaia, sendo novamente consorte de Lord Shiva.

O Maha Shivaratri é um dia auspicioso para jejum, mantras, kirtans, arathis e pujas. Celebrar e solicitar a transformação, renovação, desapego de maus hábitos e pensamentos, a união do Sagrado Feminino e do Sagrado Masculino.


Arquétipos:


Shiva Nataraja – O Senhor da Dança

Como Nataraja, Shiva é o criador da dança das 16 primeiras sílabas rítmicas jamais pronunciadas, das quais nasceu o sânscrito. A dança de Shiva é considerada uma manifestação física do ritmo cósmico. Nataraja personifica o movimento do universo. Executa sua dança cósmica denominada Tandava, destruindo e recriando mundos. Na dança de Tandava, Shiva é representado com quatro braços, simbolizando onipresença e onipotência. Com a mão direita superior ele segura um pequeno tambor (dumaru), símbolo do primeiro som da criação, OM. O som é associado, na Índia, com o éter, o primeiro dos cinco elementos. O éter é a manifestação penetrante da substância divina, da qual se desenvolveram os outros elementos, tais como o ar, a água, o fogo e a terra. A mão esquerda superior, cujos dedos assumem posição semelhante a uma meia-lua (Ardhachandra-Mudra), traz em seu interior uma chama que simboliza a destruição do mundo. A mão direita inferior executa o gesto de afastar o medo (Abhaya-Mudra), que garante proteção e paz. A mão esquerda inferior, que imita a tromba esticada de um elefante (Gaja-Hasta-Mudra), simboliza Ganesha, o filho de Shiva, o removedor de obstáculos. O pé esquerdo erguido, cuja adoração leva à união com o absoluto, simboliza o acolhimento e a salvação das almas. Com o pé direito, Shiva subjuga o demônio Apasmara, o demônio do esquecimento e da desatenção, que simboliza a cegueira e a ignorância das pessoas. O número de danças que compõem a Tandava de Shiva varia de acordo com a fonte. Cada uma classificada como Rudra (raiva) ou Ananda (alegria): Tripura Tandava; Sandhya Tandava; Samara Tandava; Kaali Tandava; Gauri Tandava, entre outras.


Shiva Pashupati – O Senhor dos Animais

O rebanho de Shiva-Pashupati compreende todos os seres vivos, inclusive a humanidade. Entre animais, deuses e humanos, a diferença está nos papéis que desempenham e no nível de consciência. Como Pashupati, Shiva zela pela natureza, pelos animais e pelos homens. Criou os gênios das florestas, os gnomos, as sílfides, sátiros, ninfas, etc. O deus tem como função ensinar aos homens qual o seu verdadeiro lugar e qual o seu papel na natureza. Ele ensina que os seres humanos são mais um dentre os elementos de uma totalidade, e que essa totalidade é a obra de Deus. Sentado sobre uma pele de tigre, subjuga a violência e agressão. Uma das mãos está posicionada em Abhaya-Mudra, pois ele é a força benevolente da destruição. De seus cabelos jorra água, relembrando de que o Ganges só nasce por meio de Shiva, que fornece seus cabelos para guiar a Mãe Ganga. Pois se a mesma viesse direto, devido sua força, iria inundar toda a Terra.


Shiva Rudra – O Senhor da Morte

O deus enquanto Rudra é o Senhor das Tempestades, do desencadeamento incontrolável das forças naturais, e é temido pelos outros deuses e visto como o aspecto irado de Shiva, Rudra significa rigoroso. Também é concebido como o destino final de todo o universo em que se funde após a dissolução. Seu corpo desnudo coberto de cinzas, simboliza seu aspecto transcendental. Como tudo é reduzido a cinzas quando queimado, elas simbolizam o Universo material. Shiva é a fonte de todo o Universo, assim ele transcende os fenômenos da matéria e não é afetado por eles. Como nascimento e morte são cíclicos, Rudra é reverenciado como o controlador da vida e da morte.


Shiva Ardhanarishvara – O Princípio Universal

Representado como homem do lado direito (Shiva) e mulher do lado esquerdo (Parvati). O poder de conceber e o poder de realizar, quando estão reunidos se manifestam no limite entre o manifesto e o não manifesto, esse ponto se chama “bindu”, é o ponto de partida do espaço tempo. É desse ponto que surge o som sagrado que é a substância do Universo. O deus no seu aspecto andrógino simboliza a superação dos opostos, o fim da dualidade, a união com a Consciência Universal. É a afirmação do fato de que a criação é instrumentada apenas quando a dualidade se funde como unidade absoluta.


Shiva Mahadeva – O Grande Deus

Nesse aspecto ele engloba todos os outros sob os quais se expressa.

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