A Dança do Sol

Atualizado: 6 de Jul de 2020


A Dança do Sol é uma cerimônia sagrada tradicional dos Nativos Americanos das Grandes Planícies, entre eles o povo Arapaho, Cheyenne, Crow, Sioux, Omaha, Ponca, Kiowa, e tribos Blackfoot.

Nesse ritual é oferecido ao Guerreiro a oportunidade de ofertar sua dor, seu sangue, suas preces e a si mesmo, um ato de auto-sacrifício para o bem de seu povo. Provando também seu valor, como protetores e guardiões de sua tribo.

Normalmente, o dançarino se oferece para a cerimônia em Busca da Visão, revelação da sua função de crescimento dentro da tribo, assim como uma responsabilidade perante um grupo, ou como uma preparação para casamento, mensagens de Guias para a cura e soluções de problemas da tribo.

A Busca da Visão consiste em um instrumento, podendo ser alcançado por distintas cerimônias, para buscar ou encontrar uma direção na vida. Auxiliando o caminhante a encontrar um meio de contatar o seu conhecimento interior, o seu ser em essência para que a verdade seja revelada.

A tradicional Dança do Sol ocorre uma vez por ano, no solstício de Verão. O Avô Sol é reconhecido e honrado, como fonte de calor e amor da Mãe Terra, permitindo o crescimento e florescimento sob sua proteção. O aspecto masculino presente no Avô Sol é um exemplo de como os Guerreiros devem constituir essa força protetora e amorosa à sua tribo. Assim, os Guerreiros, em conexão com a energia do Avô Sol, dança em reverência solicitando o conhecimento necessário para proteger o seu povo.

A duração da cerimônia é de quatro dias, em honra às Quatro Direções Sagradas. No centro do local do ritual é colocada uma árvore, em algumas tradições, somente um tronco, representando a Sagrada Árvore da Vida. Alguns costumes são particulares e variam de acordo com cada tribo, como pendurar a Sacola da Dança do Sol. Nesta é inserido diversos objetos, especialmente escolhidos para que os objetivos da tribo sejam alcançados naquele ano. Outras tribos, penduraram um crânio de búfalo, pedindo bençãos e proteções ao Sagrado Espírito.

O que é permanente nas diversas culturas é a fixação do dançarino à Árvore da Dança do Sol. Normalmente no terceiro dia, os Guerreiros são trespassados através do tecido conjuntivo dos músculos peitorais, semelhante ao processo de piercing, e depois prendem-se tiras de couro às pequenas estacas que lhes atravessam o peito, atando-os à Árvore da Vida. Cada um recebe também um coroa de sálvia e um apito, para acompanhar o ritmo dos tambores, criar e conservar a energia da cerimônia.

Devido a intensidade do ritual, o dançarino passa por uma rigorosa preparação, elaborada e preparada pelo padrinho muitos meses antes da Dança Do Sol. O Guerreiro é preparado por jejuns, muitas horas de orações, rituais de purificação e treinamento. Tradicionalmente, o padrinho deve ter participado de outras danças antes dele.



Sagrado Masculino e Sagrado Feminino na Dança do Sol


A preparação do local segue todo um ritual. Cabe às mulheres preparar um terreno circular. Após a árvore ser fixada, nas tradições Sioux, Kiowa e Crow, somente o Ma-ho poderia pendurar a Sacola da Dança do Sol. O Ma-ho era o possuidor das “Duas Almas” em um só corpo, ele era sempre uma mulher com características masculinas ou um homem com características femininas, possuindo assim a faculdade de representar os dois sexos igualmente.

Nesse ritual também se reconhece o aspecto feminino, honrando ambos os lados natureza. Os dançarinos choram, soam, urinam e sangram, percebendo o líquido como um elemento feminino, que são devolvidos à Terra, a nutrindo e fertilizando pelo caminho da verdadeira energia de troca e do equilíbrio. “Assim como o elemento água viaja até o Pai Céu para assumir a forma do Povo Nuvem, o coração de um Guerreiro viaja até o Avô Sol enquanto seu sangue alimenta o corpo da Mãe Terra.” Jamie Sams.

Estes conhecem uma pequena fração da dor que as mulheres sentem no plano do Grande Mistério, nos partos, amamentação e nas suas Luas (menstruações). Partilham seu sangue e sua dor com a Mãe Terra, assim como as mulheres o fazem constantemente. “As mulheres nutrem as sementes das futuras gerações enquanto os homens comprometem suas vidas com a proteção desse futuro através da cerimônia da Dança do Sol.” Jamie Sams.

A cerimônia da Dança do Sol foi proibida por um período no Estados Unidos, devido à tortura auto-infligida, mas já foi restaurada na cultura nativo americana e ainda é realizada atualmente.

“A Dança do Sol...as lições que ela transmite constituem uma bela maneira de se compreender o equilíbrio entre homens e mulheres, coragem e dor, fantasia e obstinação, lealdade e amor... Este antigo ritual pode ser considerado um profundo ato de amor. Ele nos ensina a Caminhar em Equilíbrio e a deixar de lado certas facetas que só estão girando em torno do nosso pequeno “Eu” pessoal.” Jamie Sams.

Bibliografia

J. Sams, As Cartas do Caminho Sagrado (1993) Ed. Rocco

http://www.okhistory.org/publications/enc/entry.php?entry=SU008 (acessado dia 4 de Março de 2018)

http://www.thecanadianencyclopedia.ca/en/article/sun-dance/ (acessado dia 5 de Março de 2018)


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