O Xamanismo e o Neoxamanismo

Atualizado: 5 de Jul de 2020


O Xamanismo é um termo criado por antropólogos, que genericamente, abrange práticas ancestrais que procuram estabelecer uma conexão com o sagrado. Um modo de vida que envolve cura, transe, estados expandidos de consciência, plantas psicoativas, contato com espíritos, seres míticos, animais, dimensões, entre outros.


A palavra xamã vem do russo antigo, tungue - saman - futuramente adaptado para o inglês - shaman - é o indivíduo não budista das regiões asiáticas e árticas, especialmente na Sibéria, que realizava práticas espirituais. Também aparentado com o sânscrito ‘sramana’ e com o pali ‘samana’, que significa “homem inspirado pelos espíritos” ou “aquele que está em conexão”. Outros nomes que possuem correspondência para sua tradução seriam curandeiros, bruxos, feiticeiros, magos, líderes espirituais, conselheiros e pajés. Sendo assim, os costumes dos povos da região siberiana, contém práticas específicas, que, comparado a outros povos, de outras regiões, categorizado também como “xamanismo”, não possuem. Como destaca Mircea Eliade da especificidade das técnicas do êxtase dos tungues, Iacutes, mongóis e turco-tártaros. Porém, Alix de Montial relata atividades xamânicas em diversas regiões do mundo, Sibéria, América do Sul, América do Norte, China, Índia, Tibete, África e Austrália, cada uma adequada para cada cultura, porém com o mesmo teor mágico-religioso e simbólico.


“Esta espiritualidade ancestral tem como templo a própria natureza... Tudo de torna sagrado na espiritualidade natural. As formas existentes na natureza eram então respeitadas como espíritos que formavam uma única família, a família do Grande Espírito.” (Práticas Bioxamânicas, pág. 29, Samuel Souza de Paula)


Embora o primeiro registro da palavra shaman seja de 1698, e possua relatos de práticas xamânicas no séc XIII, o xamanismo existe há milhares de anos e pode ser relacionado com o berço das crenças religiosas, são as primeiras compreensões do mundo invisível que temos na história da humanidade. Notamos essa influência na utilização de defumação, banho de ervas e música em diversas religiões.


Como mencionamos, as práticas xamânicas são marcadas pelo uso de elementos naturais, como ervas, árvores, pedras e animais, assim como as plantas de poder ou psicoativas, conhecidas como enteógenas, que levam o indivíduo a entrar em êxtase ou estado xamânico de consciência (EXC), conforme definição do antropólogo Michael Harner. O xamã possui a habilidade de transitar entre os mundos e os estados de consciência para identificar uma cura, solucionar problemas da comunidade, consultar os espíritos guardiões, entre outros. Portanto, com os efeitos do enteógeno, o xamã consegue auxiliar aquele que o procura, assim como a si próprio.


Para ser um xamã há ligeiras diferenças entre as etnias, contudo sempre parte de uma vocação ou chamado, que pode ser por hierarquia, eleição da tribo ou decisão pessoal, porém seguem uma premissa de preceitos, rituais, obrigações, estudos e vivências que podem levar muitos anos. Afinal, se faz necessário a experiência para obter o conhecimento necessário para retransmitir com propriedade. Ninguém, entretanto, precisa ser um xamã para praticar xamanismo.


O Neoxamanismo é o nome dado para as práticas não convencionais que resgatam os costumes e a sabedoria dos povos ancestrais, conciliando-a com elementos culturais e filosóficos da época atual. Numa perspectiva de análise histórica insere-se nos movimentos sociais de natureza estética ou religiosa denominados como "revivalismo", uma ressurgência de valores espirituais dentro de uma cultura em transformação, tendo como exemplo clássico do revivalismo, o neopaganismo.


Os movimentos neoxâmanicos, além de resgatar tradições e rituais xamânicos, cocria sob o efeito das combinações de uma variedade de cultos e elementos filosóficos bem distintos, por exemplo, a filosofia oriental e o cristianismo. Alguns dos seus precursores mais famosos foram os antropólogos Carlos Castañeda e o Michael Harner, com obras publicadas nos anos 60 e 80, como Erva do Diabo (1968) e O Caminho do Xamã (1989).


As tradições xamânicas e neoxamânicas tem em comum a ideia reconexão com a Essência Espiritual ou o Grande Espírito. De que existe uma profunda ligação entre todos os seres e elementos do universo e de que, através de práticas meditativas, o auto-conhecimento e rituais é possível transcender os limites convencionais das ilusões do mundo material, se integrar à Teia da Vida e ser feliz.



Abaixo um documentário da escola de Carminha Levy, iniciada por Michael Harner:

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